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Sacramentano Lima Duarte é homenageado na abertura do Festival Ecocine

No último dia 29, às 20h, após a abertura do Ecocine – Festival Internacional de Cinema Ambiental e Direitos Humanos, aconteceu a pré-estreia, online, do filme que mostra parte da história de vida de um dos maiores talentos da dramaturgia brasileira, Lima Duarte.

Nesse dia, o ator completou 91 anos. Bye Bye Desemboque, Lima Duarte e Suas Veredas é um road movie com roteiro e direção de Ariane Porto. A dupla já fez três longas-metragens: o infantil A Ilha do Terrível Rapaterra (2006), Topografia de um Desnudo (2010) e O Crime da Cabra (2016). Fizeram também o projeto Bem-te-vi, que cria núcleos de produção audiovisual para crianças em escolas e comunidades, do qual Lima é padrinho, e o curta-metragem de animação, A Folha de Samaúma (2011), com roteiro do ator, que recebeu vários prêmios.

Bye Bye Desemboque

Desemboque é um distrito da cidade de Sacramento, MG, cidade natal de Lima. “O filme, que mostra o ambiente da infância do Lima, é uma homenagem, um presente-surpresa de aniversário, por tudo que ele fez, faz e fará pela cultura brasileira, a começar por sua generosa participação em tantas edições do Ecocine”, diz Ariane.

A produção envolveu uma viagem às cidades mineiras Desemboque e Sacramento, com imagens da região e depoimentos de moradores. Há uma seleção de vídeos gravados pelo próprio Lima, trechos de filmes da dupla e muitos textos, poéticos, a maioria compostos e recitados por eles, que embalam o filme de 51 minutos. O destaque fica para a declamação feita pelo ator de um poema de Cândido Portinari.

A narrativa é dividida em partes, que citam ingredientes, emoções e expressões mineiras, entre outros. As cenas com alimentos mostram uma culinária delicada, em que Ariane prepara uma receita de sardinha, seu presente em todo aniversário de Lima Duarte. Neste ano, além da sardinha, fez um filme.

Chegar aos 91, para Lima Duarte, é ser “prisioneiro das memórias”: “Estava lendo A Montanha, de Thomas Mann…A vida são duas, uma pragmática, narra-se a mãe, o pai, a escola, os filhos, o trabalho, as pequenas vitórias, as derrotas, vai indo, adoeceu e morreu. É muito rápida. Tem outra que é muito longa, que se passa no universo crepuscular da memória. Essa, que eu vivo agora, tem uns três mil anos. Desemboque, tô lá ainda! Dá uma olhadinha que você me acha lá. Não me achou lá? Debaixo desses pés de pau? E essa estradinha aí, estou lá, estou indo pescar, de pé descalço, eu tô levando um sapiquá, gostava muito de pescar…finaliza”.

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