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Betinho ensina mais que capoeira, dá lição de cidadania

ok 4 A gradua_rsAgraciado com a máxima graduação da capoeira no último domingo (29), Carlos Alberto de 49 anos, mais conhecido por Betinho, através da capoeira realiza um serviço de instrução a jovens e crianças, orientando-os a serem cidadãos de bem. O agora Grão Mestre Betinho se dedica a arte há 28 anos, mas diz que começou tarde, aos 21, quando em 1987 o Mestre Eustáquio veio de Uberlândia e reuniu doze alunos na sede do Operário, momento em que foi introduzida em Sacramento essa arte que é Patrimônio Cultural da Humanidade.

Betinho nos conta que o primeiro evento de capoeira que ocorreu na cidade foi com o grupo do Mestre Cônscio de Uberlândia, em março de 1998 e só após é que se iniciou a conscientização do que era a capoeira de verdade em Sacramento e muitas crianças e jovens passaram a jogar.

Em uma conversa realizada onde mais gosta, em uma roda de capoeira, Betinho nos conta um pouco da sua trajetória, o início na arte, os aprendizados, as dificuldades, mas acima de tudo, a paixão que tem por esse esporte onde achou uma maneira de ajudar na formação moral de nossos jovens e crianças. Por isso entrevistamos nessa semana essa grande pessoa que há anos vem contribuindo para uma cidade melhor.


É Notícia:
Quando começou na capoeira?

Betinho:Me lembro como se fosse hoje. Comecei na capoeira na década de 80, eu fui em uma roda onde o Mestre Eustáquio estava presente, fui para conhecer o berimbau, pois tinha vontade de fazer um. Fomos em uma turma de dez rapazes e o mestre nos convidou e acabamos entrando para a capoeira. Eu conheci o berimbau e por ali acabei ficando, foi passando os dias, os meses, eu fui me graduando onde cheguei até hoje.

É Notícia: Faz algum trabalho paralelo á capoeira?

Betinho: Trabalho na construção civil como pedreiro, mas enquanto estou nas folgas, trabalho com artesanato de capoeira. Toda instrumentação, berimbau, caxixi, atabaque, pandeiro; confeccionamos toda a instrumentação.

É Notícia: Quando começou a dar aulas e ter seu grupo?

Betinho: Comecei a dar aula na década de 90, quando Mestre Eustáquio teve de ir embora e me pediu para que eu tomasse conta das aulas. Pensei que não daria conta, pois era novato e estava na segunda graduação, mas parece que tinha sido feito para mim mesmo e acabou que eu tomei conta para ele e não parei mais de dar aulas.

É Notícia: Além da capoeira você ensina cidadania, nos conte sobre isso.

Betinho:Isso é muito importante, porque eu uso a capoeira para atrair os nossos jovens, adolescentes e crianças, dentro da roda de capoeira eu consigo passar para eles como ser um cidadão de bem, é onde eu começo a trabalhar a parte disciplinar, orientação psicológica contra álcool, contra droga, má influência, prostituição e sempre ponho na cabeça deles que podem sim ser um cidadão de bem para o nosso município, e sempre ter dentro deles a vontade de ser um cidadão bom para o futuro e a nossa sociedade.

 OK 2 As cores representam a hierarquia, onde vermelho _rs

É Notícia: Qual a maior dificuldade em trabalhar essa arte em Sacramento?

Betinho: Para mim que já tenho um tempo grande de experiência, apesar de que devemos saber andar com as próprias pernas, a maior dificuldade que a temos em Sacramento infelizmente é o órgão público, não é muito de apoiar quando precisa, mas a gente vai dando conta de se mexer e angariar sozinhos como dá, mas a prefeitura hoje também passa para nós uma subvenção, e gente vai se virando devagarzinho, sem problemas, compra uniforme para um, instrumentação, fazemos alguma viagem. Então hoje o maior problema nosso, e não é só com a capoeira não, Sacramento inteiro se tratando dos esportes e cultura é o órgão público, falta incentivo.

É Notícia: Em que ano se graduou a mestre?

Betinho: Eu formei no ano de 2000, já tem quinze anos que me formei para mestre.

 

É Notícia: Quais alegrias a capoeira te proporciona?

Betinho: Todas “neh”! Todas porque a melhor coisa do mundo é quando você faz aquilo que gosta, e quando se faz isso você tem o prazer de ver uma pessoa se desenvolver do início e chegar igual agora, onde formei o Mussum para mestre, você vê uma pessoa que começou do nada e agora é mestre, é a maior alegria que existe; ver as crianças pedirem para entrar na capoeira e você saber e poder ajuda-las, porque o importante não é entrar, é saber ensinar e ter humildade para aprender o que não sabe; você viu naquele evento de domingo que a gente aprendeu muita coisa, mesmo me formando para grão mestre, eu aprendi muito com aquilo ali. Então a alegria é poder ensinar e passar para a pessoa o que ela pode ser no futuro.

É Notícia: Conte-nos algum episódio que te marcou ao longo dessa jornada.

Betinho: Fizemos uma história muito boa recentemente com o Grupo Semente da África, porque eles me convidaram para trabalhar com eles que são de Uberlândia, um grupo grande, o mestre que é coordenador é muito bom também, uma pessoa de uma integridade excelente, então é aonde que tivemos uma história juntos, eu tive conhecimento de lá com eles e eles tiveram conhecimento de cá, foi onde nós pudemos fazer várias organizações de entidades na cidade aonde o grupo funcionava, então são histórias que compartilhei por lá e vice versa. Vivemos uma história bonita trabalhando juntos em um período de dois anos. Isso foi muito bom porque eu consegui ajudar eles a se organizarem nos municípios onde atuam, e isso me deixou bastante satisfeito.

É Notícia: Como surgiu o Grupo Gunga de Ouro?

Betinho: O grupo surgiu depois que me formei para mestre junto com o Mestre Calungo, ele foi o criador do Gunga de Ouro e está hoje dentro do Semente da África. Tivemos a ideia de montar um grupo, então fizemos uma reunião e colocamos diversos nomes em pauta, daí teve a votação e Gunga de Ouro ganhou, e foi ai que ele criou a logo do grupo. Foi no ano de 2008 que surgiu o grupo. Antes desse grupo a gente trabalhava e trabalha ate hoje com a ASCAS (Associação de Capoeira de Sacramento), porque é ela que mantém o grupo de pé, mas antes da ASCAS tivemos também a Academia de Capoeira Centauro, a mais velha que teve em Sacramento que eu criei, porque antes não tinha organização nenhuma, não tinha registro nem nada, quando passou a ter registro firmou. Os meus alunos que trabalham sobre minha custódia, comigo dando apoio para eles, também carregam o nome da associação.

É Notícia: Em quais locais em Sacramento seu grupo atua?

Betinho: Nesses dois anos que estamos trabalhando com essa gestão, estamos oferecendo a capoeira aqui no bairro Cajuru nos dias de terça e quinta das 18h30min ás 20h30min, na Escola Coronel Jose Afonso de Almeida na quarta e sexta no mesmo horário; já na Escola Domingos Magnabosco, no Perpétuo Socorro, fazemos no período da manhã para os alunos de tempo integral. Apenas nesses três locais por enquanto nesses dois anos.

É Notícia: Em quais cidades seus discípulos dão aulas?

Betinho: Hoje graças a Deus estamos formando pessoas para trabalhar e graças a ele estamos trabalhando, não é meu discípulo, mas o Mestre Eustáquio é uma pessoa que trabalha comigo há muito tempo, é meu mestre, ele trabalha em Tapuirama, que fica perto de Uberlândia, ele dá aula lá, mas a gente também ajuda. Temos o Mestre Jiráia que da aula em Pedregulho e formou comigo, o Mestre Mandi também formou comigo e da aula em Nova ponte, e domingo passado a gente formou o Mestre Mussum que deve tomar conta do trabalho em Sacramento por um tempo.

É Notícia: Você esperava chegar a grão mestre de capoeira algum dia?

Betinho: Olha, para ser sincero, no início eu não espera nem ser capoeirista, mas como vem acontecendo, graduei, ai formei para mestre; mas via muitos grão mestres, as pessoas falando disso, aquela coisa, e eu ficava pensando se era difícil ser um, como que fazia para chegar e como tinha que ser. Ai quando me apontaram para ser um grão mestre eu fui procurar qual era o perfil para essa graduação, e eu já tinha o perfil de grão mestre há muito tempo, então eu já estava sendo um grão mestre e atuando como mestre. Então como surgiu a ideia dos graduados junto à associação de me formarem domingo, eu acabei chegando ao topo, porque agora não tem corda maior do que essa e hoje estou aqui formado como Grão Mestre Betinho.

É Notícia: Caso tenha mais algo a dizer, essa é a hora.

Betinho: O que tenho para fazer é agradecer, agradecer ao jornal “É Notícia” por preocupar com essa cultura e com a minha pessoa e a você, que me conhece há muito tempo, vir fazer uma entrevista para saber como começou e onde estou, e agradecer a sociedade sacramentana que me ajuda, me empurra e incentiva; isso engrandece seu trabalho através das palavras e a gente fica homenageado com esse tipo de coisa.

Fotos: É Notícia/Rogério Oliveira/Arquivo pessoal

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