sábado, 4 julho, 2020
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Entrevista com Cristiano Dr. Cristiano Freitas Arantes

Médico, com especialidade em “Medicina Preventiva e Social”, atua como médico da família, no Programa Melhor em Casa, da Prefeitura Municipal de Sacramento, formado pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro, de Uberaba, e reside em Sacramento há dez anos.

JE- Covid-19! Fale sobre o contágio, é mais rápido porque?

Dr. Cristiano – Esse coronavírus, ao contrários dos outros seis coronavírus que conhecemos, como são chamados desde a década de 60, é um vírus novo, fruto de uma mutação de vírus que eram transmitidos apenas entre animais numa determinada região da China e devido a mutação ele passou a ser transmitido para o ser humano, e também, de ser humano para ser humano, de forma sustentada. Assim, toda a população do mundo está suscetível, ou seja, o nosso sistema imunológico nunca entrou em contato com este vírus. Então por estarmos todos suscetíveis e por ele ter uma peculiaridade de se transmitir de forma rápida, e em muitos casos, sem apresentar sintomas, a disseminação é rápida e contínua, como estamos vendo por todo o mundo. Isso é um diferencial da doença. Por exemplo o EBOLA – em 2009 causou pânico no mundo, por ser muito agressivo e ter uma mortalidade muito alta. Só que ao entrar em contato com o vírus, o indivíduo adoece muito rápido, com isso o doente se isola rapidamente. Já com o coronavírus não, as pessoas, mesmo não tendo a manifestação estão transmitindo a doença, o que torna importante o isolamento social.

JE – Não podia o mundo ter fechado as fronteiras para a China?

Dr. Cristiano – O mundo hoje é globalizado, as fronteiras são muito amplas. Existe um trânsito grande de pessoas e de mercadorias, de uma maneira muito rápida e, pelo fato do indivíduo ter o vírus e muita das vezes não ter os sintomas, o vírus pode ter saído da China, sem as autoridades daquele país ter tomado ciência do que estava acontecendo

JE – Na sua opinião o financeiro falou mais alto em não fechar a fronteira?

Dr. Cristiano – Infelizmente vivemos num mundo capitalista e muitas vezes o financeiro fala alto sim, fazendo com que os governos demorem a tomar certas atitudes. Aqui no Brasil a dificuldade em se confinar ou não, se para tudo ou não, está levando em consideração a situação financeira, até porque isso tem dois lados, nessa situação. Os gananciosos ficam cada vez mais ricos com as crises, e a população que sofre, que precisa trabalhar, que precisa ganhar seu dinheiro, terá que ficar parada por tempo indefinido. Então nessas duas formas o financeiro tem que ser sim considerado. Mas é claro que não se despreza a questão financeira quando se toma determinadas diretrizes no combate à doença.

JE – Você acredita numa certa irresponsabilidade dos representantes de Estado?

Dr. Cristiano – Na verdade, a China demorou um pouco sim pra tomar atitude, me parece que houve até represálias ao médico que descobriu a doença. Mas após isso as medidas foram tomadas, outros países, como a Itália, também demorou a realizar um trabalho de contenção, e na verdade a própria população demorou a acreditar. No Brasil, temos posições contraditórias do próprio representante do Estado, do Presidente, que na maioria das vezes se contradiz, não tendo uma posição definida a respeito. Ao meu ver, isso é uma irresponsabilidade por parte do Presidente, mas entendo que neste momento as coisas não podem ser politizadas. Devemos tomar atitudes muito técnicas, respaldado na ciência e sem deixar que a política tome conta. Mesmo a situação econômica não poderia se sobrepor as questões humanas, pois estamos falando de milhares de vidas, então precisamos ter cautela e levar sim em consideração as pessoas, senão perderemos muitas vidas.

JE – As medidas tomadas em Sacramento podem ter sido cruciais para evitar um mal ainda maior?

Dr. Cristiano – Sacramento na verdade é um local privilegiado, com um Secretário de Saúde muito competente, dedicado e responsável, sob o comando do Prefeito Municipal, trazendo pra si a responsabilidade, como sempre faz, buscando as melhores práticas. As medidas tomadas foram realizadas com antecedência de forma clara e direta, lembrando que todo sistema de saúde está sendo reorganizado. As medidas de contenção estão saindo na frente de muitos municípios e estados. Devido a isso, acredito que será eficaz e evitará um mal maior.

JE – Se a problemática são respiradores, porque nossos governantes não investem nos equipamentos?

Dr. Cristiano – A sensibilidade social dos nossos governantes, com inversão de prioridades, faz com que a população, principalmente os mais necessitados, fiquem vulneráveis. Precisamos urgentemente rever certas questões, como o financeiro, o gasto com pagamentos de juros e dividendos destinados a uma minoria de pessoas, que ficam cada vez mais ricas e que se apoderam desses recursos que deveriam ser enviados ao bem estar da população. O desvio de recursos públicos e o aumento da demanda por estes aparelhos incumbe ao Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado e aos Municípios maiores responsabilidades, de tentarem correr atrás dessa defasagem em um curto de espaço de tempo, para atender essa demanda caso ela realmente ocorra. Aproveito para reforçar o compromisso que todos devam ter.

JE – Deixe um resumo aos nosso leitores das informações mais pertinentes sobre o coronavírus.

Dr. Cristiano – Aqui falamos da “Síndrome Gripal”, da febre súbita, mas tosse, dor de garganta, dificuldade de respirar, dor de cabeça, dor nas juntas e vários outros sintomas é síndrome gripal. Em menos de dois dias a síndrome é a febre mais os sintomas respiratórios (tosse, coriza e obstrução nasal), lembrando que febre é acima de 37,8°.

O paciente estando com estes sintomas, pode se encaixar em três situações:

1º situação – Tem os sintomas e não tem outras doenças, que a ciência chama de comorbidades, a instrução é: não procurar o sistema de saúde, para que o sistema de saúde não fique prejudicado, tomando apenas dipirona ou paracetamol, 14 dias, ele e a família.

2ª situação – o paciente está com sintomas da “Síndrome Gripal”, mas tem alguma comorbidade, doença renal, coração, diabetes, etc, mais ainda não tem indicação de internar: esse paciente irá procurar o postinho do bairro e lá eles vão fazer uma triagem, sendo atendido pelo médico que além do dipirona e paracetamol, receitará a este paciente o remédio específico para o caso em questão, lembrando que nessas situação as pessoas assinaram um termo de isolamento e ficando em casa seguindo as orientações gerais, cumprindo todo protocolo que será à ele passado.

3ª situação – é o paciente que tem os sintomas mas tem critérios de internação, ou seja é o paciente que está respirando rápido ou mesmo com o coração disparado com batimentos rápidos, com febre de 38° por mais de três dias, dor abdominal, dor no tórax intensa: caso tenha estes sintomas procurar o hospital imediatamente.

Em casa nunca esquecer, lavar bem as mãos, a água sanitária tem se mostrado muito importante, sempre deixando um pano úmido com água sanitária na entrada, limpado as chaves, controle de portão, enfim tudo que a gente toca, são dicas essenciais.

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