sábado , 2 março 2024

Festa da Exaltação da Santa Cruz e Festa de Nossa Senhora das Dores

A Festa da Exaltação da Santa Cruz está ligada ao episódio legendário do reencontro da cruz de Cristo pela mãe do imperador Constantino, Santa Helena, no dia 14 de setembro do ano 320. Embora o ano do reencontro das relíquias seja incerto, tanto a Igreja católica, quanto Igreja ortodoxa – bem como algumas Igrejas protestantes –, celebram essa festividade no dia 14 de setembro.

Conforme a tradição, Santa Helena teria levado consigo uma parte da relíquia da cruz até Roma, que ficaria guardada na atual Basílica romana de Santa Cruz em Jerusalém. Outra parte da relíquia teria ficado na cidade de Jerusalém. Em 614, os persas teriam levado essa relíquia como espólio de guerra; posteriormente, em 628, a relíquia teria sido trazida novamente para a cidade santa: desse fato teria surgido a festividade do Triunfo (ou Invenção) da santa cruz, que era celebrada no dia 3 de maio, e que caiu em desuso após a reforma do Missal Romano feita pelo Papa João XXIII (1960-1962).

O sentido da festa nos é sintetizado pelo atual Missal Romano: “A cruz, sinal do mais terrível entre os suplícios, é para o cristão a árvore da vida, o tálamo, o trono, o altar da nova aliança. De Cristo, novo Adão adormecido na cruz, jorrou o admirável sacramento de toda a Igreja. A cruz é o sinal do senhorio de Cristo sobre os que no Batismo são configurados a ele na morte e na glória (cf. Rm 6,5). Na tradição dos Padres, a cruz é o sinal do Filho do homem que comparecerá no fim dos tempos (cf. Mt 24,30). A festa da Exaltação da Cruz, que no Oriente é comparada àquela da Páscoa, relaciona-se com a dedicação das basílicas constantinianas construídas no Gólgota e sobre o sepulcro de Cristo”.Missal Romano, p. 655.

Já a devoção à Nossa Senhora das Dores tem como ponto de partida as páginas dos evangelhos. A piedade e a devoção por Nossa Senhora logo inspiraram em seus devotos um olhar particular voltado para as páginas da Sagrada Escritura, especialmente aquelas em que aparecia a figura da Mãe de Jesus e Mãe nossa. Houve quem especificasse nos relatos bíblicos as experiências de Maria, tanto de suas alegrias como também de suas tristezas, ou dores.

Para o título mariano de Nossa Senhora das Dores, olhou-se para o evangelho de Lucas, nos relatos ligados ao menino Jesus, e encontrou-se a figura do velho Simeão que, além de profetizar sobre o Filho de Maria, preanuncia à Nossa Senhora as dificuldades que deverá encontrar, simbolizadas na “espada” que deverá atravessar seu coração (cf. Lc 2,34-35). Aí temos tradicionalmente individuada uma primeira “dor” de Maria. A segunda dor é entrevista no episódio da fuga no Egito, para escapar da dura perseguição de Herodes (cf. Mt 2,13-21). Sua terceira dor está simbolizada pela perda do Menino Jesus no Templo de Jerusalém: Jesus havia completado 12 anos e, ao visitarem Jerusalém, Maria e José o perdem e o procuram durante três dias ao longo da caravana, até encontrá-lo no Templo, em meio aos doutores da Lei (cf. Lc 2, 41-51). A quarta dor de Maria está vivamente representada por seu doloroso encontro com Jesus, o Filho querido, agora todo ensanguentado na Via dolorosa: Jesus subindo o Calvário, levando sobre as costas a cruz, encontra sua Mãe ao longo do caminho (cf. Lc 23, 27-31). A quinta dor: Maria aos pés da cruz contempla seu Filho crucificado (cf. Jo 19, 25-27). Sua sexta dor é quando acolhe em seus braços Jesus que havia morrido na cruz (cf. Mt 27,55-61) e sua sétima e última dor é quando ela vê seu Filho amado ser enterrado no sepulcro, do qual ressuscitará depois de três dias (cf. Mt, 23,57-61).

São João Paulo II tão bem definiu o momento de Maria aos pés da Cruz, dizendo: “Na anunciação, Maria dá no seu seio a natureza humana ao filho de Deus; aos pés da Cruz, em João, recebe no seu coração toda a humanidade. Mãe de Deus desde o primeiro instante da encarnação, ela torna-se mãe dos homens nos últimos momentos da vida do Filho, Jesus”.

Maria é, portanto, nossa Mãe, nossa verdadeira Mãe na ordem espiritual porque é Mãe de Jesus Cristo, e Jesus Cristo é a cabeça do corpo místico (Igreja), cujos membros (atuais e potenciais) somos todos nós, a humanidade inteira.

Maria Mãe da Igreja corpo místico de Cristo, roga por todos nós, teus filhos gerados aos pés da cruz. Amém

Padre Leandro Santos
Basílica do Santíssimo Sacramento

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